terça-feira, 9 de agosto de 2016

Sobre política



Neste momento os senadores da república estão decidindo se o processo de impeachment deve seguir adiante e se haverá a votação final, de cassação ou não, da presidente Dilma. Ao mesmo tempo, muitas manifestações estão acontecendo país afora a favor da presidente afastada, pregando o fora Temer. 
Paralelamente a tudo isso, surgem a todo momento nos depoimentos da lava jato, denúncias de propinas pagas ao interino Temer, ao ex-presidente Lula, a Aécio Neves e ao Serra, ambos presidenciáveis. E agora, correr pra onde? Dá pra pensar que a presidência escangalha o caráter dos políticos. Claro que não é isso, é sabido que não é o cargo que faz o caráter das pessoas.
Assim como não é novidade que o PMDB do Temer é um bicho papão que está vorazmente se alimentando dos nossos pilas, desde o governo Sarney, também nos governos tucanos e petistas a coisa não foi diferente.
Isto tudo é muito triste, pois, nossas vidas são decidas na política, queiramos ou não. Mesmo aqueles que não gostam da política, têm suas vidas diretamente afetadas pelas decisões dos políticos. Exercer a cidadania na sua plenitude não é somente ir votar no dia das eleições. Ser cidadão é participar, discutir, influenciar, ajudar a decidir o rumo da história. Pode ser a história do seu bairro, da sua sala de aula, enfim, de toda a sociedade. Quando nos abstemos deste exercício, virando as costas para a política, estamos permitindo que dela participem apenas os corruptos, aqueles que estarão nas manchetes e nas denúncias das operações lava jato.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Afinal, sou brasileiro


Quero ver uma grande cerimônia de abertura das olimpíadas, apesar da Anita e do Safadão. 
Quero ver um espetáculo grandioso, sem atentados e com organização, que possa ser elogiado pelo mundo todo e nos deixe com sentimento de orgulho, apesar dos milhões que foram gastos, superfaturados é óbvio. Apesar dos políticos que se beneficiaram política e financeiramente falando.
Quero comemorar muitas medalhas conquistadas pelos nossos atletas, os mesmos que treinam sem apoio oficial, que muitas vezes contam somente com o apoio de uma mãe diarista que sai da cama as 4:00h e vai dormir depois da meia-noite, após um dia estafante de trabalho.
Quero chorar de emoção cada vez que ouvir o hino nacional, afinal, sou brasileiro.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

A inSEGURANÇA NOSSA DE CADA DIA

Hoje é um dia atípico para os gaúchos com os protestos anunciados pelas polícias. Instaurou-se um certo clima de medo na população. Medo de não poder sair às ruas, pois não haveriam policias para garantir a segurança. Como assim? Então quer dizer que nos demais dias podemos ficar tranquilos que nossa segurança está garantida. Ops! Tem alguma coisa errada neste pânico anunciado. Nem o dia de hoje foi tão catastrófico e nem nos demais temos a proteção que necessitamos, pela qual pagamos bem caro em cada imposto recolhido.Quando se fala em segurança ou na insegurança que vivemos atualmente, sempre tem alguém para dizer que no tempo da ditadura não era assim. São os mesmos que acreditam que não havia corrupção naquela época. Grande engano. Roubos, assaltos e corrupção sempre houve, a diferença é que naquele período não eram divulgados como hoje. Claro que nos dias atuais aumentou a violência, assim como a instantaneidade da notícia. Naquele tempo não havia internet. Também não havia a liberdade de expressão e de informação que hoje temos. E justamente pela falta de liberdade é que não se sabia que a corrupção também campeava pelos altos escalões governamentais. Esta o Lula não pode dizer, que nunca antes na história desse país houve corrupção. É... talvez não com a mesma voracidade.Só para ilustrar, em 1980/81 fui assaltado duas vezes na rua, então não me digam que isto não havia, ainda era o período da ditadura militar. Nesta época se falava, não em público é claro, que nas obras das estradas, as licitações eram combinadas antes e cada construtora ganhava um trecho da obra. As mesmas construtoras que estão frequentando a Lava-Jato. No governo Sarney, o jornalista Jânio de Freitas, publicou um anúncio nos classificados da Folha de São Paulo contendo o resultado de uma licitação, cujos envelopes seriam abertos em data posterior à publicação. Tá bom, sei que já não era na ditadura, mas o Sarney é o filho dileto daquele período, legítimo representante do havia, e há, de pior em Brasília.

domingo, 31 de julho de 2016

MÚSICA É VIDA

Exatamente, música é vida. Se prestarmos atenção, há um tipo de música para cada momento, ou seja, a vida de cada um de nós tem uma trilha sonora, um fundo musical. Arnaldo Antunes, o maior poeta da música contemporânea nacional, tem uma canção chamada Música para Ouvir, onde ele vai relatando os diferentes tipos de músicas adequados a cada situação da vida.
A música é meu vício. Quando perco o sono coloco os fones de ouvido e mergulho numa viagem sonora, não há melhor calmante. Agora mesmo, enquanto escrevo, ouço Amigo Punk, da Graforréia Xilarmônica,  a pouco ouvia Magic, do Queen.
Nos esportes, as vitórias dominicais do Airton Senna nos deram o tema da vitória e aquele filme Carruagens de Fogo deixou-nos seu legado musical com uma bela canção que até hoje é usada em filmes e reportagens sobre os esportes. Ainda me lembro quando o Brasil foi tricampeão mundial de futebol, isso entrega a idade, e tinha uma música que começava assim: Noventa milhões em ação, prá frente Brasil... Puxa! Éramos menos da metade da população de hoje! E o prá frente Brasil era uma musiquinha feita de encomenda para exaltar a ditadura militar que nos governava, mas isto é outro história.
Também existem as canções que marcam a vida dos apaixonados, aquela que ouviam quando seus olhares se cruzaram ou que dançaram juntos, corpos e rostos colados, putz!, isto não existe mais.
Na trilha sonora da vida, existem situações que ainda estão carentes de uma canção que as identifiquem. Se existem músicas para funeral, chamados de réquiem, não conheço alguma que marque o nascimento, parece uma contradição, ter uma canção para celebrar a morte e não haver uma para comemorar o início da vida. Para o casamento é o contrário, enquanto temos a marcha nupcial está faltando o tema da separação. Está ai uma ideia para os compositores, haha!

Mas é isso! Música, sempre música e rock’n roll, off course.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Direitos Humanos





Assisti uma discussão de alguns colegas sobre a falta de respeito que a bandidagem tem para com a polícia nos dias de hoje. De um lado, afirmações de que a culpa desse desrespeito deve-se à proteção dos bandidos pelos defensores dos direitos humanos. De outro lado, a culpa era jogada na mídia, que não veicula com a mesma ênfase a morte de um policial, em relação à morte de um bandido. Ambos apresentando argumentação de suas teses antagônicas. Não entrei na discussão, afinal era um ouvinte à distância e nem deveria escutar a conversa alheia. Mas, eles falavam em voz alta e, se não entrei na discussão, não pude deixar de ouvi-la. Aquilo ficou martelando no meu cérebro. Como assim? A culpa ser dos defensores dos direitos humanos. Por si só, esta afirmativa já é contraditória. Quem defende os direitos humanos não tem lado, ou não deve ter. Os direitos humanos são conceitos universais que vão além da crise na segurança pública brasileira.
A primeira vez que ouvi algo sobre direitos humanos foi nos anos 70, quando vivíamos o período da ditadura militar. Direitos humanos naquele período significava denunciar a tortura, o desaparecimento e a morte daqueles que fossem contra o governo da época. Trazendo para os dias de hoje, denunciar a execução sumária de um suspeito, o desaparecimento do pedreiro Amarildo no rio de Janeiro ou uma ação de nítida e desproporcional violência, da polícia contra um protesto estudantil, é tarefa dos defensores dos direitos humanos, sim. Não se trata de diminuir a importância do aparato policial, necessário à sociedade. Também não posso concordar com a ideia de que a mídia, a grande imprensa, seja a culpada pelo deboche que a bandidagem faz à polícia. O que fazem é para impor-se no mundo do crime, aliás, não creio que eles fiquem na frente da televisão assistindo telejornais.
Para apimentar mais ainda esta discussão, lanço uma outra tese. O desrespeito que o bandido demonstra está diretamente ligado aos comportamentos desonestos de segmentos das próprias corporações policiais, muitas vezes associadas aos criminosos. É óbvio que a banda podre não representa o todo das polícias, afinal, não são policiais, mas bandidos do lado errado da mesa.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Escondidos no Perfume

Retomando minhas caminhadas hoje ao final da tarde, depois de um longo tempo de sedentarismo, deparei-me com uma cena nada agradável. Durante o trajeto, avistei dois guris, acho que tinham uns quinze ou dezesseis anos, fumando um baseado. Até ai nenhuma novidade, está cada vez mais “normal” assistirmos esta cena. Continuei a caminhada, que tinha um percurso repetitivo, então passei por eles novamente e continuavam a fumar. Um pouco depois, foram eles que passaram por mim e estavam exalando um forte perfume de desodorante, destes em spray. Primeiro um, depois o outro cruzaram por mim, e o perfume era o mesmo. De imediato saquei a jogada dos malandrinhos, tomaram banho de perfume para camuflar o cheiro da maconha que ficara impregnado neles. Detalhe, um deles usava mochila escolar, ou seja, naquele horário deveria estar a caminho de casa. Não é segredo para aqueles que me conhecem que sou radicalmente contra às drogas, por isso conto esta história, como alerta aos pais para esta estratégia dissimuladora que os adolescentes usam, a fim de não serem descobertos em suas viagens que, infelizmente, na maioria dos casos não termina em finais felizes.

domingo, 17 de julho de 2016

Quanto vale uma vida?

Todos os dias recebemos notícias que nos dizem que pessoas têm suas vidas tiradas por conta da vontade de outras pessoas. Como assim!? Como alguém pode decidir, e por em prática, o fim da vida de outra pessoa?
Mas é fato, está acontecendo a todo momento, em todo lugar, na França, na Turquia, no Rio de Janeiro e na nossa cidade, em nossa volta.
Aconteceu na França quando, um maluco dirigindo um caminhão atropelou centenas de pessoas, matando mais de oitenta delas durante as comemorações da Queda da Bastilha, justamente a data mais importante para os franceses, símbolo da Revolução Francesa que pôs fim aos regimes tirânicos de reis e rainhas. Pois este atentado está sendo reivindicado pelo Estado Islâmico como sendo de sua autoria, por alguém que teria seguido sua orientação. Daí pergunto, que orientação é esta que decide pela morte de dezenas de pessoas? Não acredito que seja orientação de Alá. Um deus não daria tal ordem, pois creio que uma religião não precisa da morte para se impor sobre as outras, aliás, nenhuma religião deve impor-se às demais.
E na Turquia, quase trezentos mortos em uma tentativa malograda de golpe militar. Quem decidiu que aqueles que fossem contra ou a favor do golpe deveriam morrer? É claro que os que decidiram não morreram. Nem o presidente turco, nem o líder militar golpista e nem mesmo o líder religioso da oposição, que está bem longe da Turquia, nos Estados Unidos. Mas então pergunto, quanto valeu aquelas vidas?
Aqui no nosso país, que vive uma terrível crise na segurança pública, pessoas são mortas diariamente. Os assassinos matam porque a vítima reage, porque não tem dinheiro para entregar, neste caso a vida não vale nada. Matam para subir de posto na hierarquia da facção a qual pertencem.
Então, o valor de uma vida será definido não pelas suas próprias escolhas, mas, pelo que ela representa nas escolhas de seu assassino.