quinta-feira, 20 de outubro de 2016

A Prisão do Cunha

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Então, prenderam o Cunha. Esta é sem sombra de dúvida a notícia da semana. Mas é engraçado observar o efeito que esta prisão causa nas pessoas. A maioria comemorou, mas nem todos pelos mesmos motivos. Há aqueles que acreditam que, finalmente, a justiça está sendo feita, afinal, estamos vendo os grandes figurões da política e do empresariado sendo presos. Há aqueles que, mesmo querendo a prisão do Cunha, ainda creem que a Operação Lava Jato é seletiva e que faz parte de uma tentativa de aniquilação de um grupo político. De minha parte me incluo no primeiro grupo e torço para que o segundo esteja errado em sua concepção de teoria da conspiração. Espero que muitos outros caiam. Candidatos a se mudarem para Curitiba é o que mais tem em Brasília. 
Cunha é um símbolo e prendê-lo dá um significado especial à operação Lava Jato. Mostra que a operação não é brincadeira, afinal mexeu com alguém poderoso, tanto que foi eleito presidente da Câmara pela maioria dos seus colegas deputados. Por causa disto, muitos estão apreensivos com uma possível delação premiada do ilustre preso. Não creio que haverá. Tal qual o José Dirceu, Cunha permanecerá coerente consigo mesmo e negará toda acusação até o final. É meu palpite.

domingo, 16 de outubro de 2016

O NOBEL É NOSSO

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Imagino que a Academia que escolhe aqueles que receberão os prêmios Nobel seja composta por senhores e senhoras sisudas, daqueles que leem somente textos científicos, vestidos como personagens do século XVIII e, tal qual ingleses, as 5 da tarde, rigorosamente, reúnem-se para tomar chá. Mas a Academia não fica na Inglaterra e sim na Suécia e este povo me surpreendeu este ano ao conceder o Prêmio Nobel de Literatura a um representante que não é propriamente um erudito.Bob Dylan é country? Bob Dylan é pop? Ou Bob Dylan é rock? Ele é tudo isso junto e a Academia reconheceu não apenas o seu talento musical mas a sua contribuição para o mundo da cultura. Acertou a Academia, aplausos para eles. Fiquei felicíssimo com a escolha porque, como um amante da música, me senti também um ganhador do prêmio junto com Dylan.A música é meu vício, meu calmante e ver um representante da estirpe de Bob Dylan receber um prêmio, em geral concedido a escritores, é algo de um significado maravilhoso.Parabéns a Academia e viva a música!

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Cadê o Rock?

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Tenho assistido ao caça talentos XFactor, da Band, na esperança de ver algo novo na música brasileira, estou falando de rock’n roll é claro. Mas, assim como outros programas do tipo, parece que estou assistindo uma seleção de calouros de algum programa americano. A maioria dos candidatos canta em inglês e, o que é pior, quase todos eles cantam música pop americana, destas que se houve toda hora, música comercial, empurrada pelas gravadoras nas rádios.
Quando entrei em contato com o mundo da música, lá na adolescência, as rádios tocavam de tudo, tinha MPB, samba, jovem guarda, tropicália e rock. Estou falando dos anos 70, década nos deu a black music americana e a disco music. Gosto não se discute, eu sei, mas vamos combinar que a qualidade musical está cada vez pior. Nada é tão ruim que não possa piorar, e assim tem sido desde a invasão da lambada. Veio o sertanejo melódico, axé, pagode, tchê music, kalipso, sertanejo universitário, funk, putz!
Quando vieram os anos 80 tivemos uma explosão rockeira nacional, Paralamas, Ira, Legião, Titãs, Engenheiros. Parecia que tudo ia bem, mas o rock nacional desapareceu, fora algumas exceções, verdadeiras resistências no mundo comercial das rádios e gravadoras. Até a Ipanema desapareceu, confesso que fiquei órfão quando encerraram as transmissões no FM.

Felizmente nem tudo está perdido. Nas andanças motociclísticas tenho assistido boas bandas, guerreiras nas trincheiras, tocando o bom e velho rock’n roll. O rock permanece vivo, no circuito underground, mas, se não fosse assim, não seria o rock.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Mais Um

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Finalmente, depois de quase um ano, ontem à noite a Câmara dos Deputados cassou o mandato de Eduardo Cunha. Não é todo dia que vemos o parlamento cortar na própria carne. Ficou melhor a Câmara? Infelizmente não, pois há uma enorme quantidade de Suas Excelências respondendo a todo tipo de processos.
A cassação de Cunha, porém, não deixa de ser um bom sinal. Desde a investigação do mensalão e, principalmente, com a operação Lava Jato, a podridão da politicagem está vindo à tona. Veja bem, da politicagem e não da política, que é algo nobre em uma sociedade. Ainda é possível acreditar que dá para consertar nosso Brasil, afinal, quem já tinha visto os poderosos, de ex-ministros a altos executivos de grandes empresas, na cadeia?
Este ato da Câmara não encerra o período de depuração da corrupção, ao contrário, reforça a atuação da Lava Jato, na medida em que acaba de cair um peixe grande que responde em dois inquéritos. Espero que as investigações continuem, independente da cor partidária, corrupto é corrupto, não importa a bandeira que tenha nas mãos.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Impeachment

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Enquanto escrevo os senadores da República estão decidindo o futuro do governo da presidente Dilma. Mesmo não sendo um senador, já vou adiantando meu voto, sou a favor do impeachment. Isto não significa que sou golpista e nem que morro de amores pelo draculeano Temer. A Dilma está caindo muito mais pela sua incompetência em governar o país do que por qualquer outra coisa. Calma, cai também pela voracidade com que a corrupção se apropriou do Estado. É claro que, se os números da economia fossem bons, não haveria impeachment. Ela cai pela sua teimosia em não reconhecer os fatos. Cai, principalmente, pela soberna de seu partido e de seu líder que se auto-iludem numa fantasia de que o Brasil só existe a partir da chegada de Lula ao poder. A mesma soberda que os fez imaginar que bastaria o aval do padrinho e tudo aconteceria num passe de magia. Não aconteceu. O poder serve aos desavisados uma poção inebriante. Quem dela bebe, se lambuza. E a embriaguês do poder impediu o PT de fazer uma adequada leitura das manifestações das ruas a partir de 2013, ironicamente, onde o PT foi forjado. Nestes dias o país está vivenciando fatos que serão estudados nos livros de história, só que a história continua e, muito provavelmente, logo estaremos de volta às ruas pedindo a cabeça dos corruptos de plantão.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Conectados


Enquanto aguardava a saída do professor da sala, num intervalo entre uma e outra aula, esperávamos no corredor eu e mais nove pessoas, observei que cada um estava isolado, ninguém conversava com ninguém. Um folhava o caderno, dois estavam de mão no bolso (eu e outro, hehe) e os outros sete estavam absortos em seus celulares. Cabeças curvadas, ombros arqueados e os dedos freneticamente digitando. É o mundo novo, o ciber espaço, a vida virtual que, ao mesmo tempo em que aproxima as pessoas distantes, pelas possibilidades de contatos que oferece, distancia os que estão próximos.
Logo no início da internet, com o surgimento do e-mail, que já é quase jurássico, cheguei a pensar que as pessoas iriam ler e escrever mais. Putz, que engano, a gurizada criou uma linguagem própria para a internet, uma gíria virtual. Hoje a coisa tá pior, ninguém escreve, só usam estas porcariazinhas chamadas de emotions, que a gente fica tentando decifrar o que significam.
Tenho colegas de sala de aula que ficam literalmente plugados na internet em plena aula e vão ao desespero quando a bateria do celular acaba. É um tal de caça tomada. Já vi vários usando celular acocorados junto às tomadas, enquanto o celular carrega. Não dão descanso pro coitado.
Assim estamos nos dias de hoje, conectados com o mundo e isolados ao mesmo tempo.

A Continência dos Atletas

Está rolando uma grande polêmica sobre os fato dos atletas olímpicos patrocinados pelas Forças Armadas prestarem continência durante a execução do hino nacional. Esta polêmica é um misto de ciumeira e de ranço ideológico.
Ciumeira na medida em que, atletas que receberam o apoio necessário, tornaram-se vitoriosos em seus esportes. Mas afinal, não é exatamente o que todos nós reclamamos? Não estamos sempre criticando a falta de incentivo aos desportistas, afirmando que só há apoio ao futebol e blá, blá, blá.
Vejo ai, também, um ranço ideológico, pelo fato deste apoio vir dos militares. Isto ainda assusta muita gente pelas lembranças do período da ditadura que vivemos, não há muito tempo. Sinceramente, militares cumprindo à constituição, respeitando as instituições democráticas e, ainda por cima, apoiando nossos atletas, não me assustam. Ao contrário, dá orgulho a cada execução do hino nacional e comemoração de ouro olímpico.
Certamente este incentivo é, ao mesmo tempo, uma forma do governo federal apoiar o esporte e uma maneira de dizer ao mesmo governo que, com apoio, nossos atletas se tornarão vencedores.